Neste sábado, 26/9, a Sagrada Gorsedd dos Bardos de Caer Piratininga celebrou o Equinócio de Primavera, em nosso bosque sagrado de bambus.
A confluência de local e momento era absolutamente mágica - de fato um tempo fora do tempo, quando pudemos deixar um pouco de lado as preocupações e colher, através da inspiração, a cura de que precisamos no dia-a-dia.
Nosso nemeton foi rodeado de maravilhas - as garças, que fazem a ligação entre os mundos, guardavam nosso círculo. O carcará olhava por nós. Os lagartos davam mais vida à mata, sob os olhares atentos dos quero-queros. As jabuticabeiras nos ofereciam suculentos frutos.
Depois de uma cerimônia simples, fluida, leve, ao sair de nosso bosque sagrado, nos deparamos ainda com mais imagens da renovação da natureza, promovida pela Primavera que celebramos: nas folhas e sementes novas do nosso ipê totem, e na doce figura dos gansos filhotes.
Que a Primavera traga a todos renovação e equilíbrio!
Eisteddfod
A seguir, as poesias expiradas em retribuição a toda a magia do momento:
O sol se põe para mais um inverno
Em ano de Sol, transformações, um inferno
Os dias estão frios, árvores quietas, chuva fina
Minha sombra isolada ao fundo de um poço esquecido
Por anos vi a beleza da primavera nas flores
No meu caminho, na beleza de um dia de sol
Na maré mansa, na amizade, no amor
Era bela e apreciável o chegar da Primavera
Mas hoje, estava marcada a hora e local
E ela não apareceu, nem deixou um recado
Tímidos ipês deram bom dia, outros ao longe dobravam a esquina
Tomei um bolo, pois a Primavera não apareceu.
Estou aqui para celebrar a morte,
O luto da Primavera externa, aquela que partiu há um ano,
Se foi e nunca mais voltou. Foi e tenho saudades.
Mas ali na esquina, perguntei a deus Sol, onde está a Primavera?
Diz o deus, “está agora onde sempre deveria estar: no fundo do seu coração.
Se quer a Primavera, olhe onde nunca olhou
Dentro de você!
Marcos Reis
Enfim broto da terra
Folhas verde-novo em minha vida
Olhando para trás, o inverno parece eterno
E trago um pouco dele no peito
Transformado em alimento
Para as flores que vêm
Pouco a pouco em botões.
E guardarei no peito as flores
Para que sirvam de alegria e alimento
Através do verão e do outono
Até que chegue o inverno de novo
Quando se transformarão em certeza
De renascimento na primavera.
Gûyratinga
Cheiro de chuva
Que vem de fora
Que se mistura
Com o asfalto da rua
E me acorda na escuridão.
Vento nas folhas
Que leva e trás
Esse cheiro de chuva
Pra dentro de mim.
Junto com ele
A primavera
Que promete um começo
Depois deste fim.
Começo de novo
Cada vez mais sábio
Cada vez mais silencioso
Sem dar explicação.
Primeira letra de um nome
Uma introdução
De como serei por um ano.
Mas tanta explicação
Talvez seja em vão
Porque o começo é vital
Chega quase sempre sem avisar
E dispensa apresentação.
É mudança, mas é primavera
Ela é esperada
E merece uma celebração.
Mesmo que só um silêncio de contemplação.
Ana Luiza Decares Rampim
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